A “Recém-Nascida Mãe”: Tristeza pós-parto ou Depressão pós-parto?

Após o nascimento de um bebê, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, não existe apenas alegria para as “recém-nascidas Mães”. Elas precisam lidar com uma nova rotina, por vezes exaustiva, com uma mudança drástica hormonal, com desconfortos físicos decorridos do parto, tenha sido ele normal ou cesariana, e também com alguns sentimentos como medo e insegurança ao vivenciar essa nova responsabilidade que é cuidar de um ser aparentemente tão frágil e indefeso. Além disso, é comum que as pessoas ao redor da mãe voltem sua atenção ao novo membro da família que acabou de nascer e não consigam perceber toda a demanda psico-emocional da “recém-nascida Mãe”.

Baby Blues: sintomas

A partir desse conjunto de fatores, é possível que algumas puérperas desenvolvam um quadro transitório de alteração no humor, denominado Baby Blues ou Tristeza Materna, que deverá desaparecer espontaneamente por volta do primeiro mês após o parto e que não necessita de tratamento Profissional. Alguns dos sintomas do Baby Blues são: tristeza, irritabilidade, ansiedade, choro, insegurança, baixa auto-estima, indisposição, mudanças bruscas no humor. Ter uma boa rede de apoio familiar nesse momento será suficiente para que os sintomas possam desaparecer, sem que precise haver intervenção médica. O número de mulheres acometidas pelo Baby Blues chega a 80 por cento e, apesar de ser normal e comum, é preciso ter atenção e cuidado com os sintomas, principalmente sabendo diferenciá-los de um quadro mais grave, no qual encontra-se a Depressão Pós-Parto que não tem uma recuperação de forma espontânea e rápida como no Baby Blues.

Depressão Pós-Parto: sintomas e a necessidade de acompanhamento profissional

O que diferencia a Depressão Pós-Parto da Tristeza Materna (Baby Blues ou post-partum blues) é a gravidade do quadro e o que ele tem de incapacitante, afetando a funcionalidade da mãe e pondo em perigo seu bem-estar e o do bebê¹. No Brasil, a cada quatro mulheres, mais de uma apresenta sintomas de Depressão no período de 6 a 18 meses após o nascimento do bebê². O quadro de Depressão Pós-Parto é mais severo e persistente, deixando a mulher incapacitada, com muita dificuldade em realizar as atividades diárias. Alguns dos sintomas observados em mulheres com Depressão Pós-Parto são: apatia, abandono dos próprios hábitos de higiene e cuidados pessoais, falta de interesse em amamentar o bebê, alterações no apetite e no sono, crises de choro, problemas de concentração, falta de energia e motivação em atividades que antes eram agradáveis e em situações mais extremas ideias de suicídio e sentimentos excessivos de culpa.

A Depressão Pós-Parto traz inúmeras consequências ao vínculo da mãe com o bebê, sobretudo no que se refere ao aspecto afetivo e psicológico. Portanto, diante de qualquer suspeita, orienta-se que a mulher busque atendimento médico específico e, caso confirme o diagnóstico, ela possa iniciar o tratamento. Importante salientar que esse tratamento deverá englobar um cuidado Multiprofissional, integrando o físico e o emocional, com acompanhamento de Psicólogo e outros profissionais da saúde, além de uma rede de apoio efetiva, com toda família também envolvida na recuperação do seu bem-estar.

Escrito por Luna Maia, Psicóloga e Doula do Luminar.

  1. IACONELLI, Vera. DEPRESSÃO PÓS-PARTO, PSICOSE PÓS-PARTO E TRISTEZA MATERNA. Artigo publicado na Revista Pediatria Moderna, Julho-Agosto, v. 41, nº 4, 2005.
  2. THEME, Mariza. Factors associated with postpartum depressive symptomatology in Brazil: The Birth in Brazil National Research Study, 2011/2012, Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz),  publicado na edição de abril do Journal of Affective Disorders. Disponível em: https://portal.fiocruz.br/noticia/depressao-pos-parto-acomete-mais-de-25-das-maes-no-brasil

 

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