O Papel da Dança do Ventre na Preparação do Corpo para a Gestação e o Pós-Parto

Olá Leitores. Sou Tathiany Moura – mãe, fisioterapeuta, atuo na área de Alinhamento Postural e Reabilitação Ortopédica, sou especialista em Terapia Intensiva/Respiratória e em Fisioterapia Pélvica e Sexualidade; mestranda do Programa de Pós-graduação em Saúde e Ambiente (UNIT/SE); membro do Luminar, grupo multidisciplinar de atendimento ao parto, gestação e puerpério; bailarina de Dança Oriental e Sapateado Americano.

As mamães, na gravidez e no pós-parto, geralmente têm recomendação de fazer atividade física e é bem comum que sejam indicadas atividades com baixo impacto e que trabalhem força muscular, flexibilidade, mobilidade, postura e ajudem na respiração e no controle da ansiedade.

Dançar é uma atividade que pode vir como excelente aliada tanto na gravidez quanto no puerpério mesmo que a mamãe nunca tenho feito aulas de dança, desde que esteja tudo clinicamente bem e o médico libere para atividade física em geral.

Fisioterapeuta Tathiany Moura.

Foto: Vaneide, Orube Fotografia

dança oriental ou dança do ventre tem a característica marcante de ser uma dança predominantemente pélvica, explorando várias possibilidades de movimentos pélvicos, de coluna e de quadril, mas que não isola outras partes do corpo – o repertório de movimentos de tronco e membros superiores também é vasto.

Na gravidez, é importante que a mulher trabalhe a mobilidade da coluna e da pelve, para diminuir as chances das frequentes dores na coluna. Uma coluna rígida tem uma tendência maior à dor em qualquer pessoa, mas na gravidez o peso da barriga e a curva acentuada na coluna lombar já esperada por alterações posturais dessa fase facilitam o aparecimento dessas dores e podem limitar atividades do dia-a-dia.

Os movimentos de báscula de pelve – encaixe, posição neutra, desencaixe, rotação, torção, inclinação – e de coluna realizados durante as aulas de dança do ventre melhoram, aula após aula, a mobilidade dessas regiões e ajudam na consciência corporal e postural, diminuindo as dores e melhorando a adaptação da mulher às mudanças físicas da gravidez.

O assoalho pélvico, geralmente esquecido por nós em várias fases da vida, também é solicitado durante as práticas. Os pequenos e importantes músculos do assoalho pélvico atuam secundários aos movimentos de pelve, quadril e coluna e podem melhorar sua eficácia quando esses movimentos são realizados de forma correta, e isso é muito interessante considerando que na gravidez tem todo o peso em cima do assoalho pélvico e podem surgir sintomas como incontinência urinária de esforço e outras disfunções do assoalho pélvico decorrentes da gravidez.

Tais benefícios associados à dança do ventre são ótimos tanto para quem espera por um parto normal quanto para quem precisará passar por uma cesariana, já que independente da via de parto, todas desejam uma gravidez saudável e as alterações físicas acontecem de forma muito similar a todas as gestantes.

Após o parto, fica difícil organizar o retorno às atividades físicas por conta de toda a demanda e a dificuldade de estabelecer uma rotina quando há um bebê em casa. Uma atividade que possa envolver a mãe e o bebê favorece a interação com outras mães e facilita a organização da família para incluir uma atividade física, que é tão importante no pós-parto quanto na gravidez.

Carregadores de bebês e a dança do ventre. Foto: Adelita Choffi.

Os carregadores de bebê trazem uma facilidade ergonômica para a mãe, por permitir que os braços fiquem livres e a criança fique segura e bem posicionada no colo enquanto a mãe faz sua aula de dança do ventre, trabalha o corpo e consegue se desligar um pouco de tantas atribuições que mães e pais tem com seus pequenos. Existem vários modelos seguros disponíveis, mas o uso desses acessórios demanda uma boa orientação, pois um carregador mal posicionado pode ter efeito contrário e aumentar as dores da coluna na mamãe e machucar o bebê.

As atividades físicas na gravidez geralmente são liberadas após a 15ª semana de gestação quando a gestante é sedentária prévia, mas uma gestante que já era fisicamente ativa não precisa pausar suas atividades e esperar passar o primeiro trimestre, desde que esteja tudo clinicamente bem e seja uma atividade de baixo impacto sem aumento de carga nessa fase inicial. Após o parto, a recomendação de retorno é 30 dias após o parto vaginal e 45 após a cesariana, ambos após reavaliação do obstetra.

As aulas de dança na gravidez e no puerpério podem trazer melhora na qualidade de vida da mamãe e consequentemente da família. As mulheres tendem a melhorar a autoestima, a disposição e a vitalidade quando frequentam aulas de dança.

Aula de BellyMamãe com a professora e criadora do

método Liana Matos. Acervo Pessoal.

É importante procurar um profissional de dança que tenha preparo para receber gestantes e mamães e que saiba conduzir a aula respeitando as características dessas fases tão marcantes na vida de uma família e encaminhar quando identificar alterações que merecem atenção do obstetra ou de um fisioterapeuta pélvico.

Falando um pouco da fisioterapia pélvica na gravidez e no pós-parto, o profissional vai atender casos como dores lombares e pélvicas, posturas erradas, incontinência urinária de esforço, disfunções sexuais, preparação para o parto, tratamento de diástase e disfunções pélvicas e sexuais após o parto para que a gravidez aconteça de uma forma mais saudável e a chance de lesões secundárias à gravidez e pós-parto diminuam.

Obrigada pela leitura

Beijos.

Thathiany Moura

 

 

 

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